Está estudando holandês, mas está confuso? Precisa de ajuda?

Aulas de reforço no idioma holandês, via Skype, no conforto de sua casa! Saiba mais neste post!

IMPORTANTE: Mudanças no Inburgering

Leia o post sobre as mudanças que ocorreram nos exames.

"Hospice", já conhece um ou ouviu falar?

Post sobre um hospice destinado ao público jovem, inaugurado em 2014 na cidade de Leiden. Leia mais aqui!

Como é o teste de Holandês no consulado?

Acabe com a sua ansiedade! No post, links com os exemplos de como é o novo teste.

Programa LowLand

Programa transmitido direto da Holanda, via internet.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

AU e OU : Qual a diferença na pronúncia deles?



NENHUMA!!!

Garimpando a internet para encontrar áudios ou vídeos para treinar alguns "klanken" (sons) em holandês, encontrei vários materiais bem interessantes da Rijksuniversiteit Groningen.

Vamos começar então pelo mais "klank" ais fácil: AU / OU

Parte boa: os dois soam exatamente iguais. Conforme a professora/instrutora informa no vídeo, não há diferença na pronúncia do AU ou OU. 
Parte chata: para nós, pobres mortais aprendizes de holandês, fica o alerta: na hora de escrever, não vai ter saída: memorizar (através de leitura) como se escreve:

Applaus
Houd
Bouwen
Fout
Fauna
Koud
Inauguratie
Pauze

Confira o vídeo abaixo:




Gostou da postagem? Ou tem sugestões para posts no blog? Deixe seu recado!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ôba!!! Alguém aí recebeu uma isenção para o exame de Integração?

Isenções para o Exame de Integração injustificadas!

Não é só o pessoal do DUO que enfrenta problemas para manter em dia o seu serviço (leia post aqui). Hoje foi noticiado que o IND também tem os seus momentos......

Devido a um erro, entre dois a três mil estrangeiros receberam uma isenção ( ou seja, foram liberados) para o exame de integração. O secretário de estado Dijkhoff informa á "Tweede Kamer" que o serviço de Imigração e Naturalização (o IND) não aplicou uma alteração que deveria ter ocorrido em 2015.

Com a isenção, muitos estrangeiros que já tinham um visto temporário, receberam um visto permanente de residência. Devido a questões legais, todos os vistos permanentes concedidos não podem ser revogados.

À partir de 01 de janeiro de 2015, os requisitos para a isenção do exame de integração foram aumentados (tornaram-se mais complexos), mas o IND continua aplicando as condições antigas. De acordo com Dijkhoff isso acontece porque as novas regras ainda não foram traduzidas apropriadamente em instruções e formulários.


Nota do Blog: Hey, luijtjes - Ik bedoel, IND....jullie moeten beter met elkaar communiceren. Então os caras alteram as regras, mas não tem ninguém pra coordenar uma força-tarefa para fazer as devidas traduções, correr atrás da impressão dos novos formulários, treinar pessoal/departamentos envolvidos...Samba do criolo doido isso aí...Vai entender!!


Neste meio tempo, o erro já foi corrigido. Dijkhoff lamenta o rumo dos acontecimentos. 

Estrangeiros podem ser isentos, por exemplo, no caso de um problema médico sério ou circunstâncias pessoais especiais/específicas.

Então, vamos treinar o holandês? Matéria original você encontra aqui.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Longa espera para fazer o Inburgering

Fonte foto: trouw.nl
De acordo com o site Trouw, a fila de espera para fazer os exames do Inburgering é de QUATRO (!!) meses para fazer as provas, DOIS meses para receber o resultado e se o candidato precisar fazer o exame outra vez, mais QUATRO meses para uma nova chance.

Nota do blog: lembramos aos leitores que é necessário pagar por cada exame feito.

Mais uma nota do blog: em 2013, o tempo de espera era de 6 semanas, contados á partir do momento em que o pagamento dos exames era efetuado.

De acordo com os professores de holandês, o tempo de espera tem aumentado cada vez mais. A instrução, ou seja, o procedimento normal, é de quatro semanas de espera, mas  em média o tempo de espera das pessoas que se inscrevem para fazer o exame é de quatro meses.

O professor Ad Appel, que também elabora material para estudos da língua holandesa diz que os professores estão reclamando já faz algum tempo sobre essa espera. Mas pouca coisa muda: "Isso é um grande problema, porque a maioria dos refugiados que em 2014 chegaram, precisam ainda este ano fazer os exames", diz Ad Appel. Então, para aumentar a pressão junto ao DUO ele iniciou uma petição no início de maio contra esse tempo de espera "absurdo".

O Blog Luz pra Cego foi atrás dessa petição. No link abaixo é possível acessar a mesma. É preciso deixar o seu nome, e-mail e cidade onde você mora.

Petição para diminuir o tempo de espera para o Inburgering

Até a publicação deste texto (23/05/2017), 1708 pessoas já haviam assinado a petição.

A professora e diretora de uma escola de idiomas, Adrienne de Jong, faz "prints" com as datas de inscrição dos alunos que vão fazer os exames: serve como evidência/prova no caso dos alunos precisarem contestar o DUO.

O DUO reconhece a situaçao crítica nas cinco unidades onde os exames são aplicados. Quanto tempo é a espera para fazer os exames,  DUO não soube afirmar/confirmar. De acordo com um porta-voz,  a razão para o longo tempo de espera é o grande fluxo de refugiados que aconteceu em 2014. "O que você percebe é que todo mundo quer , depois de três anos, fazer todos os exames (todos os módulos) de uma vez só". O DUO não estava contando com isso.

Outra nota do Blog: Eu li e re-li...Li mais uma vez: "O que você percebe é que todo mundo quer , depois de três anos, fazer todos os exames (todos os módulos) de uma vez só". Ora, ora...o DUO cobra por cada exame. Quem faz o exame, paga. Se alguém quer fazer todos os exames de uma vez só (eu fiz todos de uma vez só, pois me senti preparada para isso) - isso é problema da pessoa que vai fazer o exame...não é mesmo?? Parece que o DUO tem algum problema em se "organizar" melhor.... Se a Holanda recebe ou recebeu um fluxo maior do que o normal de refugiados/imigrantes, é imperativo que o DUO e outras instâncias governamentais tenham um plano de ação ou um plano de contingência para dar conta da demanda.

E você, leitor do blog? Já se inscreveu para fazer os exames? Qual foi o seu tempo de espera? Conte-nos!!

Quer ver a matéria na íntegra - e treinar o seu holandês :-) , acesse aqui.

terça-feira, 25 de abril de 2017

E se você não fizer o "inburgering" dentro de 3 anos?

 Salve queridos leitores do Luz pra Cego! Esperamos que esteja tudo bem com vocês!

E então, você sabe o que acontece se você não fizer o inburgering dentro do prazo dos 3 anos estipulados? Dor de cabeça, na certa.

De acordo com a imprensa holandesa, cerca de 1500 refugiados e parceiros/conjuges de cidadões holandeses receberam este ano (dados de abril de 2017) uma multa porque eles não conseguiram obter o diploma do inburgering dentro do prazo. O DUO - sigla para Dienst Uitvoering Onderwijs (e equivalente á nossa secretaria/ministério de educação) já está cobrando essas multas através de oficiais de justiça.

Bem...se é com oficial de justiça batendo na porta, assim, igualzinho ao que acontece no Brasil, não sabemos. Acreditamos que primeiro uma carta é enviada, informando sobre a multa. Algum leitor do LC passou por essa experiência? Conte-nos!

Essas multas são o resultado da nova lei de integração que entrou em vigor em 2013. Desde então, os imigrantes que receberam permissão para morar no país, têm 3 anos para obter o diploma de integração (Inburgeringsexamen) ou então o Staatsexamen. Esses dois exames vão  checar se o candidato pode ler e falar holandês suficientes e se ele tem conhecimento da cultura/sociedade holandesa (KNS) e mercado de trabalho (ONA).

Desde 2013, o próprio imigrante é responsável pelo pagamento do seu curso e para isso, pode solicitar um empréstimo de até 10.000 euros junto ao DUO (atenção: empréstimo não é dinheiro de graça!!). No caso dos ex-refugiados e seus familiares, se eles obterem o diploma dentro do prazo, eles não precisam pagar (!!). Se não conseguirem obter o diploma dentro do prazo e se eles não tiverem um bom motivo para aumentar o seu prazo para conquistar o diploma, eles levam uma multa e precisam também pagar o empréstimo tomado com o DUO. 

Vale lembrar que aqueles que não conseguem passar em todos exames não são elegíveis para solicitar a cidadania holandesa.

De acordo com o DUO, cerca de 467 pessoas fizeram um acordo para pagamento da dívida contraída para estudar holandês. Outro grupo, com cerca de 100 pessoas, deve estar recebendo um oficial de justiça para cobrar a dívida. Quantas pessoas ainda estão para serem chamadas no ano de 2017, o DUO não informou.

No ano de 2016, cerca de 9100 pessoas deveriam estar prontas com inburgering. A maioria dessas pessoas são ex-refugiados e seus familiares que vieram para a Holanda para agrupamento familiar no ano de 2013. O segundo maior grupo são aqueles que vieram para a Holanda por motivo de casamento.

Ok, ok....falamos bastante, mas...e o valor da multa?

A multa pode chegar até 1250,00 euros!

Portanto, é importante se dedicar aos estudos e fazer de tudo para passar nos exames dentro do prazo estipulado!

Precisa de reforço nas aulas de holandês?

Entre em contato conosco!

Veel succes! 



Fonte 1): https://www.rtlnieuws.nl/nederland/boete-voor-1500-nieuwkomers-die-niet-voldoende-inburgeren
Fonte 2): https://www.trouw.nl/samenleving/bijna-helft-migranten-haalt-inburgeringsexamen-niet-op-tijd~a3034e4f/
Fonte 3): http://www.dagelijksestandaard.nl/2017/04/nieuwe-cijfers-tonen-inburgering-mislukt-totaal-40-doet-er-veel-te-lang-over-1500-treuzelaars-kregen-boete/

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Palavras em Inglês com origem no Holandês


Se você está aprendendo holandês e conhece um pouco do idioma inglês, já deve ter percebido que algumas palavras em inglês se parecem em muito com palavras holandesas. Klopt dat?
Bem, na verdade, não é que elas “se parecem”. Muitas palavras em inglês são na verdade adaptações de palavras holandesas.

Quer exemplos?

Skipper: vêm do holandês “schipper”, que em inglês significa exatamente igual ao holandês: capitão.
Yankees: essa eu já sabia, pois um colega meu chamado Kees, havia me contado uma história parecida, apenas variando os nomes. No século 17, muitos holandeses se chamavam Jannen ou/e Keesen (agora, nos anos mais “recentes”, Jan e Kees). “JanKees” = Yankees
Cole slaw: isso é literalmente “koolsla”.
Landscape – é uma adaptação da palavra holandesa “landschap”.
Cookie – Em holandês, “koekje”.
Cruise – “kruisen’. Em inglês, também temos o verbo “to cross”.
Frolic – essa vêm da palavra holandesa “vrolijk”.
Pump – mude o “u”por um “o”, e.... voilá! :o)
Rucksack – Rugzak. Nem precisa explicar muito, certo? Significa “mochila”.
Onslaught – A palavra holandesa “aanslag”, têm exatamente o mesmo significado

Você conhece alguma outra palavra em inglês com origem no holandês? Vamos aumentar a nossa lista!


E então? Mais motivado (a)? "Bora" lá aprender mais! :-)


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Haarlem tão charmosa quanto Amsterdam

De uma forma geral quem vem conhecer a Holanda tem como foco principal Amsterdam e seus arredores. Claro, é a cidade mais famosa do país e deve sim ser visitada. Mas, se você quiser sair um pouco do tradicional roteiro “arroz com feijão” eu deixo aqui uma dica de passeio que vale a pena.


Stadhuis

Primeiro deixe de lado a idéia de que só Amsterdam é interessante  e cheia de vida. Haarlem, a capital da Província da Holanda do Norte, é uma competidora de peso.

A cidade fica a 15 minutos de trem de Amsterdam é considerada o melhor local de compras do país. E de fato  o centro está cheio de lojas e charmosos cafés.  Haarlem possui um história rica e que foi por vezes bem conturbada.
Grote Markt
Visitar o centro histórico é obrigatório, já que é lá que se encontram as construções mais antigas da cidade, além dos cafés e bares. Pois, então vá ao Grote Markt, que é a praça central, lá se encontram construções famosas como a Stadhuis     (Prefeitura) e a Catedral de Sin Bavo (que remonta ao século 14).
E se você gosta de museus pode visitar  o The Corrie ten Boom House (que foi esconderijo de refugiados na Segunda Guerra Mundial), o Frans Hals Museum (que abriga uma coleção histórica da arte holandesa) e o Teylers Museum (o mais antigo da Holanda).

Corso das Flores - Bloemencorso
Dependendo da época de sua viagem talvez você tenha a oportunidade de participar do Corso das Flores ou do Kermis. O Corso das flores é um evento no qual carros alegóricos desfilam diversas imagens feita de flores, no ultimo dia dos eventos as flores são distribuídas.  Já o Kermis também acontece uma vez ao ano e é uma espécie de parque de diversões itinerante, bastante popular por aqui. Originalmente começou como uma feira anual , associada á Igreja e seus feriados. Se você ainda não participou de um  vale experimentar.

Kermis
E se vier a Holanda não deixe de incluir Haarlem no seu roteiro. 


Cíntia Beatrice é paulistana, Bacharel em Turismo e Designer de Interiores, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e mora no Norte da Holanda com o marido . Atualmente faz parte do grupo de colunistas do blog Brasileiras pelo Mundo. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

"Hospice": Já ouviu falar?

Eu convivi pouco tempo com a minha sogra. Quando eu a conheci, ela estava naquele período que se chama "remissão" do cancêr. A remissão da doença não significa a cura; é um período de tempo em que a doença ou está respondendo ao tratamento ou está sob controle). Meu sogro, já aposentado, cuidava dela integralmente, mesmo quando a doença ainda não havia drenado por completo a vitalidade dela, como aconteceu no seu último ano de vida. 

Quando eu a conheci, ela ainda estava ativa, fazia algumas tarefas leves da casa, saía para fazer compras, ou passear. Em uma consulta de rotina, ela foi orientada pelo seu dentista, a procurar um médico, pois algo havia sido detectado por ele naquela consulta. 
Após um exame, foi constatado que o cancêr havia voltado, depois de cinco anos de intensos cuidados, sessões de quimioterapia, medicações e mais todo o esgotamento emocional que o doente e a família, normalmente, mergulham. 

Ok. Pára tudo. 

Eu resolvi começar esse texto contando uma experiência pessoal que me fez tomar conhecimento de um tipo de estabelecimento que existe aqui na Holanda e, até onde eu pude apurar, em outros países da Europa, Austrália e Estados Unidos também.

Hospices (pronúncia aproximada "róspiss”) são instituições onde são internadas pessoas que precisam de cuidados paliativos. Num hospice há pessoal  habilitado para o acompanhamento e supervisão de pessoas que estão seriamente doentes, passando por sofrimentos decorrentes de doença severa ou avançada, incurável e progressiva.

Nos hospices os quartos são individuais e aparelhados de acordo com a necessidade da pessoa que ali se hospeda. A hospedagem pode ser de até três meses. Havendo necessidade, pode-se prolongar mais três meses. Normalmente, não há muitos quartos nos hospices, como você pode estar imaginando. Quatro, cinco, seis quartos. Aqui na cidade onde eu moro, há um hospice, com cinco quartos.

Em abril de 2014 foi inaugurado na cidade de Leiden, depois de cinco anos de planejamento, um hospice para jovens, o Xenia Hospice (www.xeniahospice.nl). Nesse local são recebidas pessoas entre 16 e 40 anos. É o primeiro estabelecimento deste tipo na Holanda, voltado para o público mais jovem. 


É possível encontrar na internet reportagens e vídeos que mostram um pouco da atmosfera amigável e acolhedora que foi criada para receber essas pessoas, que decidiram junto de seus familiares e médico responsável - o paciente só é encaminhado para um hospice depois que o médico constata ser o caso - passarem seus últimos dias nessas unidades.



No caso deste estabelecimento, o Xenia Hospice, foi construído um ambiente onde familiares e amigos podem circular em espaços comuns, sentarem á mesa para fazer alguma refeição, tomar um café ou chá, conversar ou ver algum programa ou filme juntos. O estabelecimento se encontra no centro de Leiden, perto de cafés, supermercados, pubs. Aqueles que ainda não estão limitados devido a progressão da doença que os acometem, podem desfrutar de algum passeio, caminhada ou simplesmente sentar em algum banco ao longo dos belos canais da cidade e apreciar a vista.



O que mais me chamou a atenção nas reportagens á respeito desse novo estabelecimento foram os depoimentos de alguns "hóspedes": jovens, com talvez 16 ou 17 anos, falando de maneira resoluta o quanto era importante para eles aquele lugar, falando da maneira de como eles se sentiam "em casa", apesar deles estarem cientes do pouco tempo que lhes restava.  

Eu confesso que toda vez que eu leio algo a respeito dessas instituições, sinto uma espécie de inquietação e não raro, tristeza.

Ao mesmo tempo, tenho profunda admiração e respeito por essas pessoas que, no intuito de aliviar a tensão, angústias e tristezas que a sua iminente passagem para o infinito possa estar causando a si e em seus entes queridos, optam por passar seus últimos dias fora do seu ambiente familiar.

Me parece um profundo exercício de desprendimento, muito bem racionalizado. Eu tento me colocar na posição deles: seria eu capaz de optar por ficar longe do minha casa, do meu pessoal, dos meus objetos, dos meus "cheiros" e cores? Eu não sei. Seria eu muito egoísta, se eu decidisse ficar em casa, até o último momento? Para alguns, deve ser muito duro tomar uma decisão dessas, pois ir para um hospice, por mais que não se queira pensar nisso, significa o final de uma história. Você não sai de um hospice andando. Fato.

Eu lembro com nitidez a última semana da minha sogra no hospital. No quarto, junto com a família e o médico dela, foi declarado que o melhor para a situação dela seria  a remoção para um hospice, onde ela poderia ficar num ambiente menos tenso que o hospital mas com os mesmos cuidados. Em nenhum momento ela se mostrou contrária a decisão. Ela disse que entendia que a remoção dela seria para o bem da família e dela. Dentro de dois dias, ela já estaria instalada num quarto privativo, bem decorado, com uma vista bucólica para um jardim florido.

Mas, eu duvidei.

Algo me dizia que ela não queria ir para um lugar "desconhecido". Ela queria era ir pra casa dela. Seus objetos, sua gente, seus cheiros. Suas lembranças.

No manhã marcada para a remoção dela, ela iniciou o seu "desprendimento". A saúde dela colapsou de tal maneira que a remoção dela foi impossível. Guerreira como era, nunca cogitou a eutanásia (permitida no país) e embora o prognóstico sempre se mostrasse desfavorável para ela, jamais deixou de fazer planos onde ela estivesse incluída. 

Lá no meu íntimo, eu acredito que ela não quis ir para o hospice.

Talvez eu fizesse o mesmo.

“Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.”

(Texto publicado no Jornal Forquilinhas, edição Junho 2016)